A inquirição contraditória é uma forma especial de interrogatório no processo penal. É utilizada quando se pretende evitar um novo interrogatório posterior. A base legal central é o § 165 do Código de Processo Penal. A regulamentação visa, sobretudo, proteger as pessoas particularmente afetadas por um crime de mais sofrimento psicológico e, ainda assim, garantir um processo justo para todos os envolvidos.

Especialmente para as vítimas de crimes graves, os interrogatórios repetidos podem ser extremamente stressantes. Cada nova descrição dos acontecimentos acarreta o risco de reativar traumas já processados ou ainda existentes.

A inquirição contraditória permite que um interrogatório seja realizado numa fase inicial e em condições processuais especiais. Este interrogatório único deve permanecer utilizável posteriormente no processo, sem que a vítima tenha de depor novamente.

Inquirição contraditória nos termos do § 165 do Código de Processo Penal: Procedimento, direitos, proteção da vítima e importância no processo penal, explicados de forma clara.
Rechtsanwalt Peter Harlander Peter Harlander
Harlander & Partner Rechtsanwälte
„A inquirição contraditória nos termos do § 165 do Código de Processo Penal é a tentativa do legislador de equilibrar a proteção da vítima e um processo penal justo.“
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Base legal

O § 165 do Código de Processo Penal regula os requisitos e o procedimento da inquirição contraditória. A norma cria um quadro legal que considera tanto a proteção da vítima como os direitos da defesa.

O tribunal realiza o interrogatório a pedido do Ministério Público. Tal recolha de provas pode ocorrer já na fase de investigação. A construção legal garante que a declaração é feita em condições que se aproximam o mais possível de um julgamento posterior.

Princípios básicos da inquirição contraditória

Uma inquirição contraditória é utilizada no processo penal quando um interrogatório no julgamento não é possível por razões de facto ou de direito. Serve para garantir as declarações numa fase inicial e, ao mesmo tempo, evitar situações de interrogatório stressantes.

As vítimas que possam ter tido a sua integridade sexual violada têm o direito de solicitar uma inquirição contraditória tanto na fase de investigação como no julgamento. Para as vítimas de crimes sexuais com menos de 14 anos, a realização de uma inquirição contraditória é legalmente obrigatória.

Separação física

Na inquirição contraditória, o arguido e a pessoa a ser inquirida não se encontram diretamente. O tribunal organiza o interrogatório de forma a que não haja contacto visual direto.

Esta separação física reduz a pressão psicológica e evita encargos adicionais.

Procedimento de uma inquirição contraditória

Dependendo do equipamento técnico do tribunal, a realização concreta de uma inquirição contraditória pode diferir em detalhe. No entanto, o procedimento permanece essencialmente o mesmo.

O interrogatório em si é geralmente conduzido pelo juiz numa sala adjacente e transmitido ao vivo por vídeo para a sala de audiências. Aí encontram-se o arguido, a sua defesa e o Ministério Público. Através da transmissão por vídeo, garante-se que o arguido ou o seu defensor possam ver e ouvir a declaração e fazer perguntas diretamente à pessoa a ser inquirida.

Estas perguntas são transmitidas imediatamente através de uma ligação técnica ou apresentadas pelo juiz, que as reencaminha para a pessoa inquirida. Desta forma, o direito de questionar é mantido, sem que haja um confronto pessoal direto.

A transmissão por vídeo permite, assim, um equilíbrio juridicamente seguro entre a proteção da vítima e os direitos de defesa. O tribunal protege a pessoa a ser inquirida de um encargo imediato, ao mesmo tempo que salvaguarda o direito do arguido a um processo justo.

Participação de pessoas de confiança

Jovens entre os 14 e os 18 anos, bem como jovens adultos até aos 21 anos, podem, se não forem representados por um defensor, levar uma pessoa de confiança para a inquirição contraditória. Como pessoas de confiança, consideram-se, em particular, representantes legais, encarregados de educação, familiares, professores, bem como representantes da assistência à infância e juventude.

Efeito para o processo subsequente

Após a conclusão da inquirição contraditória, o tribunal pergunta regularmente à pessoa inquirida se deseja exercer o seu direito de não prestar mais declarações no futuro.

Neste caso, em vez da declaração pessoal e direta da testemunha, é apresentada a gravação em vídeo da inquirição contraditória no julgamento. O tribunal reproduz a gravação no julgamento. A inquirição previamente realizada com a participação de todas as partes substitui, assim, um novo interrogatório pessoal.

Rechtsanwalt Sebastian Riedlmair Sebastian Riedlmair
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„Uma inquirição contraditória pressupõe que todas as partes processuais tenham a oportunidade de exercer o seu direito de questionar em tempo útil.“
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Notificação atempada

Para que a inquirição contraditória cumpra os requisitos de um processo justo, todas as partes processuais devem ser informadas atempadamente. O tribunal deve notificar o Ministério Público, os arguidos e a defesa da realização da inquirição contraditória, indicando o local e a hora.

Deve ser dada a todas as partes a oportunidade de participar no interrogatório e de exercer o seu direito de questionar. A presença física não é obrigatoriamente necessária. O essencial é que as partes tenham a oportunidade de participar.

A defesa deve ter tempo suficiente para se preparar antes da realização da inquirição contraditória. Só se a defesa tiver a oportunidade de analisar o estado do processo e preparar as perguntas, a inquirição contraditória cumprirá a sua função como prova justa e utilizável.

As suas vantagens com o apoio de um advogado

O acompanhamento por um advogado garante que os requisitos legais são cumpridos e que não ocorrem erros processuais. Receberá uma avaliação compreensível da sua situação e será informado sobre os seus direitos e opções.

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FAQ – Perguntas frequentes

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