Execução sobre direitos patrimoniais

A Lei da Execução (EO) disponibiliza vários meios para garantir o cumprimento coercivo de créditos pecuniários em aberto. Para além das formas conhecidas de execução de bens móveis e de execução de créditos, existe também a execução sobre (outros) direitos patrimoniais. Precisamente por esta forma de execução ser menos conhecida, vale a pena analisar mais de perto os pressupostos, o processo e os casos práticos de aplicação.

A execução sobre direitos patrimoniais foi totalmente reformulada desde a reforma geral do direito de execução, que entrou em vigor em 1 de julho de 2021, e está regulamentada nos artigos 326 e seguintes da EO.

Execução sobre direitos patrimoniais explicada: Processo, penhora e alienação de direitos imateriais explicados de forma simples e compreensível.

Partes da execução sobre direitos patrimoniais

Na execução sobre direitos patrimoniais, confrontam-se duas partes principais: O credor requerente, que pretende fazer valer um crédito pecuniário, e o devedor obrigado, cujos direitos patrimoniais são utilizados.

Direitos elegíveis

A execução sobre direitos patrimoniais abrange todos os direitos com valor patrimonial que ainda não estejam abrangidos por outros tipos de execução, como a execução de bens móveis, de créditos ou de imóveis. Desta forma, esta forma de execução constitui uma disposição supletiva para direitos que, de outra forma, escapariam ao âmbito dos meios de execução clássicos.

Direitos patrimoniais executáveis

A execução é efetuada, entre outros, sobre os seguintes direitos patrimoniais:

Direitos patrimoniais impenhoráveis

Nem todos os direitos patrimoniais podem ser alienados coercivamente. O legislador protege determinadas posições jurídicas para salvaguardar os interesses pessoais e sociais das partes.

Determinados direitos são expressamente considerados impenhoráveis:

Rechtsanwalt Peter Harlander Peter Harlander
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„A execução sobre direitos patrimoniais começa onde as medidas de penhora clássicas atingem os seus limites e, por conseguinte, exige uma sensibilidade jurídica especial.“
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Autorização de execução

Em primeiro lugar, a parte requerente deve apresentar um pedido de execução, no qual designa concretamente o pedido de execução. Só depois o tribunal atua e verifica se estão preenchidos os pressupostos legais para a autorização da execução sobre direitos patrimoniais.

Quando é efetuada uma execução sobre direitos patrimoniais, o tribunal deve, por norma, nomear um administrador. Este administrador é incumbido de apurar, sem demora e, se possível, com a colaboração do obrigado, todos os direitos patrimoniais penhoráveis.

Execução sem nomeação de administrador

Sob determinadas condições, o tribunal pode dispensar a nomeação de um administrador. Para tal, é necessário um pedido do requerente, no qual este designa com precisão o direito patrimonial em causa e solicita de imediato a sua alienação. Se estes pressupostos estiverem preenchidos, o tribunal de execução não deve nomear um administrador. A parte requerente está autorizada a fazer valer e a executar o direito e pode intentar uma ação judicial ou prestar outras declarações necessárias para a alienação.

Nomeação obrigatória de administrador

A lei obriga à nomeação de um administrador em relação a determinados direitos patrimoniais:

Dado que estes casos exigem uma administração e avaliação especializadas dos direitos, a nomeação de um administrador é obrigatoriamente prevista.

Rechtsanwalt Sebastian Riedlmair Sebastian Riedlmair
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„Uma execução eficaz não significa um acesso cego, mas sim uma atuação planeada dentro dos limites legais.“
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Penhora de direitos patrimoniais

Com a autorização da execução, o tribunal emite uma proibição de disposição ao obrigado, para que este já não possa dispor dos direitos patrimoniais em causa. Com a notificação da proibição, o direito é considerado penhorado. Se o direito patrimonial for um direito registado, por exemplo, uma quota de imóvel, a penhora é efetuada através da inscrição no livro ou registo público.

Alienação de direitos patrimoniais

O administrador converte os direitos penhorados em dinheiro. A lei prevê várias possibilidades para tal:

O tipo de direito patrimonial e a autorização do tribunal determinam qual o tipo de alienação que o tribunal permite.

Execução sobre quotas de sociedade

As quotas de sociedade também podem ser penhoradas. No caso de sociedades de pessoas e cooperativas, o administrador pode rescindir o contrato de sociedade para alienar a quota.

No caso de sociedades de capitais, aplicam-se regras mais rigorosas. Se a quota de uma sociedade de capitais só for transmissível com o consentimento da sociedade, todos os participantes (devedor, sociedade, credor, eventualmente sócios) são informados sobre o valor estimado e a alienação planeada. Se existir um direito de preferência no contrato de sociedade, um sócio pode assumir a quota no prazo de dois meses. Tal visa evitar que pessoas estranhas se tornem sócias involuntariamente.

Execução sobre empresas

O tribunal não autoriza a penhora de uma empresa se esta estiver indissociavelmente ligada à força de trabalho pessoal do empresário. Tal é o caso, por exemplo, de uma empresa individual. Uma administração ou arrendamento revelam-se praticamente impossíveis.

Na penhora de uma empresa, o administrador aliena-a exclusivamente através de administração judicial ou arrendamento, uma vez que uma venda ou um leilão judicial não são permitidos. Durante a duração da execução, o administrador judicial assume a direção da empresa e assegura que todos os atos necessários para o funcionamento corrente sejam praticados. Além disso, o tribunal torna pública a sua nomeação e regista-a subsequentemente no registo comercial.

As suas vantagens com o apoio de um advogado

Um advogado experiente verifica com precisão quais os direitos patrimoniais que podem ser penhorados e, ao mesmo tempo, garante que a execução coerciva é efetuada de forma juridicamente segura e eficaz. Além disso, salvaguarda os seus interesses perante devedores e terceiros, para que as perdas sejam evitadas e os créditos sejam integralmente executados.

Através de uma sociedade de advogados especializada, é possível evitar custos e atrasos desnecessários, para que possa obter clareza, segurança e uma avaliação realista das suas hipóteses de sucesso.

Perguntas frequentes – FAQ

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